OPINIÃO · JOSÉ ROSA SOARES FILHO

Para além da conquista civilizatória que foi na realidade o resultado das últimas eleições presidenciais no Brasil, onde jovens retornaram às ruas, idosos às urnas e o povo em geral se apoderou das redes sociais, a maior surpresa foi o “fenômeno”, de caráter mundial e além das fronteiras brasileiras, de uma espécie inusitada de “exportação” da forma de se fazer democracia no país.

Alguns jornalistas e estudiosos já chamam o ocorrido no Brasil de “RR” (Ruas e Redes). Sabemos que às ruas não foram apenas os jovens, mas estes se mostraram fundamentais desde o início (movimento de universitários da UFF-Niteroi/RJ). Afinal, o presente é nosso, mas o futuro é deles. Igualmente sabemos que com relação às redes sociais não foram fundamentais apenas os seus líderes progressistas, nominando três deputados eleitos em destaque: André Janones, Thiago dos Reis e Ana Elisa. Caso os navegantes da grande rede (o povo conectado digitalmente) não ousassem se engajar maciçamente nas tropas de imensos e inimagináveis exércitos virtuais, de nada adiantaria.

AS IDEIAS DO ARTIGO

RR · Ruas e Redes

PRESENÇA

Ruas

Juventude, mobilização coletiva e participação no espaço público.

CONEXÃO

Redes

Engajamento digital e circulação de ideias pela sociedade.

Uma hipótese do autor: a participação no Brasil pode inspirar movimentos democráticos além de suas fronteiras.

Síntese visual da reflexão de José Rosa Soares Filho.

Mundialmente, voltando ao tema-título, parece que houve uma (re)ligação do povo na “tomada” da democracia, reagindo a uma triste onda que ameaçava emborcar o mundo perigosamente para a direita. Houve, e está havendo, uma espécie de despertar democrático em vários países do mundo. Na América, recentemente com o avanço do partido democrata nos EUA e a consequente derrocada da “era Trump”. Na Europa, com reações democráticas em vários países, a citar apenas dois importantíssimos: Espanha e França.

O que ocorreu foi um “ponto de inflexão” na história da política mundial? Só o futuro dirá, mas tudo que se viu e se viveu com certeza estará nos livros de História do futuro. Seria algo comparável, em termos de influência, a uma Revolução Francesa de 1789? Ou a uma Revolução Russa de 1917?

“Afinal, o presente é nosso, mas o futuro é deles.”

“Ao sobrevoar o espaço aéreo brasileiro em minha viagem ao Uruguai, à Argentina e ao Peru, envio cordiais saudações a Vossa Excelência [Lula] e invoco sobre a Nação os dons da unidade e da paz”. Estas são as palavras do Papa Leão XIV enviadas recentemente, por telegrama, ao Presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva.

Gestos são sintomas do que se passa em nossas mentes e em nossas almas. Caso fosse o saudoso Papa Francisco, um humanista, mais que democrata, além de um enviado por Deus à Terra, como acreditam os cerca de 1,4 bilhão de católicos do planeta, certamente pediria ao piloto do avião para fazer um pouso em Brasília para um encontro com Lula, por mais breve que fosse.

Esse reconhecimento explícito, pelo chefe de uma nação “sui generis”, para dizer o mínimo, posto que tem oficialmente um dos menores territórios do mundo, mas extrapola poder e influência para muito além das fronteiras do Vaticano, é algo também extremamente significativo nesta nova geopolítica mundial que se apresenta e se vislumbra para os próximos anos (e pleitos).

A nós, viventes do “hic et nunc” (aqui e agora), resta a esperança (*) de que realmente o tsunami democrático, cujo epicentro ocorreu nesta bela “Terra Brasilis”, por vezes historicamente inculta e incauta, se espalhe de verdade pelos demais países dessa “bola azul” chamada Terra.

JOSÉ ROSA SOARES FILHO

Lauro de Freitas – BA, 07.11.2026