O cantor, compositor e pianista Benito di Paula morreu no domingo, 18 de outubro, aos 84 anos, em São Paulo. A morte foi confirmada pela assessoria do artista. O artista tratava um câncer de próstata havia cerca de um ano e morreu no Hospital 9 de Julho.

Dono de uma voz imediatamente reconhecível e de um jeito próprio de tocar samba ao piano, Benito deixou canções que atravessaram gerações. “Retalhos de Cetim”, “Charlie Brown” e “Mulher Brasileira” estão entre os títulos que fizeram de seu repertório uma presença constante em rádios, festas e apresentações de música popular.

Do circuito de boates ao sucesso nacional

Nascido Uday Vellozo em Nova Friburgo, na Região Serrana do Rio de Janeiro, em 28 de novembro de 1941, Benito construiu sua trajetória nos palcos antes de se tornar um nome nacional. Passou pelo circuito de boates do Rio, trabalhou em Santos e se estabeleceu em São Paulo. Sua música aproximava a cadência do samba do romantismo do bolero e de elementos do jazz. Essa combinação ganhou identidade própria na voz e no piano do compositor.

Seu primeiro LP saiu em 1971. O reconhecimento se ampliou com “Retalhos de Cetim”, sucesso a partir de 1973. O piano ocupava o centro da apresentação: acompanhava o canto e conduzia a pulsação do samba, criando uma assinatura que o distinguia de outros intérpretes de sua geração.

O estilo ficou associado ao chamado “samba-joia”. Para o público, porém, a experiência dispensava rótulos: havia canções de amor, celebração e saudade, interpretadas com intensidade. Em “Último Andar”, que integrou a trilha da novela O Espigão, em 1974, Benito também levou à canção um olhar sobre a transformação das cidades. Seu repertório abria espaço para a vida urbana, além dos afetos e das histórias de amor.

Músicas para revisitar sua obra

Uma porta de entrada para o repertório é ouvir estes sucessos, que ajudam a reconhecer diferentes momentos do cantor:

  • Retalhos de Cetim — uma das composições mais identificadas com Benito e marco de sua projeção nacional.
  • Charlie Brown — outro título indispensável entre seus grandes sucessos.
  • Mulher Brasileira — presença recorrente nas lembranças de sua carreira.
  • Violão Não Se Empresta a Ninguém — parte do repertório que consolidou sua popularidade.
  • Vai Ficar na Saudade e Se Não For Amor — canções para ampliar a escuta além dos títulos mais conhecidos.

Assista: “Retalhos de Cetim”, ao vivo

A apresentação abaixo está no canal oficial BenitoDiPaulaVEVO, no YouTube. É um registro ao vivo de 2009, publicado na plataforma em 2018, que permite reencontrar o artista ao piano e sua maneira de conduzir um dos maiores sucessos da carreira.

Ver também no YouTube: Benito di Paula — Retalhos de Cetim (Ao Vivo).

Discografia: uma seleção de discos

A carreira fonográfica reúne álbuns de estúdio, registros ao vivo e coletâneas. A seleção a seguir oferece um roteiro de escuta; não é uma relação completa de todos os lançamentos.

  • Benito di Paula (1971) — primeiro LP.
  • Ela (1972).
  • Um Novo Samba (1974).
  • Benito di Paula — Gravado ao Vivo (1974).
  • Brasil Som 75 (1975) — projeto com participações de outros artistas.
  • Olha Nós Aí (1979).
  • Bom Mesmo É o Brasil (1983).
  • Que Brote Enfim o Rouxinol que Existe em Mim (1984).
  • Nação (1985).
  • Fazendo Paixão (1990).
  • Pode Acreditar (1994).
  • Baileiro (1996).
  • O Infalível Zen (2021) — com Rodrigo Vellozo.

A música compartilhada com o filho

Aos 80 anos, Benito voltou às gravações de inéditas em O Infalível Zen, ao lado do filho, o cantor e pianista Rodrigo Vellozo. O disco, lançado em 2021, tem 13 faixas, entre elas “Uma Onda no Tempo”, “Meu Retrato” e a canção que dá nome ao trabalho.

Benito desenvolveu seu jeito de tocar ao adaptar para o piano acordes que conhecia no violão. A admiração por Ataulfo Alves também fazia parte de suas referências musicais. O encontro com Rodrigo, que participou da produção com Rômulo Fróes, mostrou um artista ainda disposto a apresentar novas composições, além de revisitar os clássicos.

Velório aberto ao público em São Paulo

A despedida será na terça-feira, 20 de outubro, das 9h às 15h, no Theatro Municipal de São Paulo, na Praça Ramos de Azevedo, s/n, República. O velório será aberto ao público.

O sepultamento está previsto para as 17h, no Cemitério Morumby, em cerimônia restrita à família.